Entre os 80% que testam IA e os 7% que escalam está o produto
Estudo MIT SMR Brasil com 583 empresas: a maioria testa IA sem orçamento, sem retorno medido e sem coordenação. O que falta está no meio, e é vendável.
Oito em cada dez empresas brasileiras já testam ou usam inteligência artificial de alguma forma. E apenas 7% levaram essa tecnologia para o centro do negócio. As outras 93% não a incorporaram à estratégia.
O estudo Da adoção à escala: a maturidade da inteligência artificial nas empresas brasileiras, da MIT Sloan Management Review Brasil, com fieldwork conduzido pela CNEX, ouviu 583 profissionais de empresas de diversos portes, setores e regiões. E o número mais interessante não é o 80% nem o 7%: é a distância entre os dois, e o que se passa no meio dela.
O estudo, e quem o encomendou
Antes dos dados, duas transparência.
O estudo foi encomendado pela TOTVS, e a pesquisa no Brasil foi conduzida pela CNEX, que representa a MIT SMR aqui. Ou seja: uma empresa que vende ERP pagou por uma pesquisa que destaca a integração com ERP como o fator decisivo.
Não é motivo para descartar os números, é motivo para lê-los com o conflito declarado. O achado mais citado pela imprensa — "só 8% integram IA de forma ampla ao ERP" — é exatamente o achado que interessa ao principal mercado de quem encomendou. O restante do estudo, que não favorece a encomenda, tem o mesmo peso: maturidade média de 6,69 em escala de 0 a 10, o ponto mais frágil sendo a integração tecnológica.
O material é de outubro de 2026, e os números são de medição, não de projeção.
O meio que está vazio
A leitura óbvia do par 80% e 7% é que a maioria está em piloto. Certa. Mas o estudo mostra que o obstáculo para sair do piloto não é falta de vontade nem falta de ferramenta.
É ausência de estrutura. Três números consecutive:
- 40% das empresas conduzem as iniciativas de IA sem nenhuma coordenação entre os departamentos
- 86% não medem quanto gastam com IA
- 88% não sabem qual retorno financeiro a adoção está entregando
Some-se a isso que apenas 43% dos profissionais temem errar por confiar demais na IA e 37% dizem não saber usar as ferramentas corretamente — enquanto só 7% das empresas oferecem treinamento estruturado a todos os funcionários.
Ou seja: o piloto acontece, o custo não é medido, o retorno não é conhecido, o treinamento não chega a quem usa e os departamentos não conversam. Não há como sair desse estado sem mudar a estrutura, e mudar a estrutura é trabalho — não é o trabalho de fechar um modelo melhor.
O dado não chega onde precisa chegar
Este é o ponto que o estudo classifica como o mais frágil: a integração tecnológica.
- 68% já tratam a migração para a nuvem como realidade
- 46% dizem que suas ferramentas de IA acessam os dados da empresa de forma automática
- apenas 8% integram a IA de forma ampla aos sistemas de gestão
A distância entre 68% e 46% é o ponto: a nuvem foi conquistada, e a camada que faz a IA ler o dado do negócio ficou pelo caminho. Só 8% chegaram a um sistema transacional. É por isso que a média de maturidade fica em 6,69 e não em 8 — o que as empresasumblesought bem está nas dimensões de teste, e o que derruba a média é a integração.
Quem está na frente
O estudo traz um dado que, para quem constrói produto, é o mais acionável de todos: empresas que inovam com parceiros externos têm índice de maturidade 41% superior ao das que tentam avançar sozinhas.
Esse número explica muita coisa do resto. O que falta para uma empresa chegar do 7% do centro do negócio não é uma ferramenta melhor nem um time interno maior. É a capacidade de executar um processo de implantação que quase nenhuma empresa quer ter dentro de casa: integrar dado, reescrever fluxo, medir custo e treinar time. Fazer isso sozinho exige competência que a empresa não tem e não quer contratar.
O que isso abre para o founder
Três produtos que o estudo descreve sem nomear.
Primeiro: medição de custo e de retorno. 86% não medem o gasto e 88% não sabem o retorno. Quem entrega um painel simples de custo por caso de uso, com o retorno estimado ao lado, resolve uma dor que hoje é invisível para quem manda na decisão — e sem isso, nenhum projeto sobrevive ao segundo ciclo orçamentário.
Segundo: coordenação. Com 40% das empresas sem coordenação entre departamentos, o custo real é retrabalho: dois projetos que fazem a mesma tarefa em formatos diferentes, duas ferramentas compradas para o mesmo uso. Um catálogo de casos de uso, com dono, processo e evidência de resultado, é o instrumento que transforma 40% de caos em portfolio — e é software.
Terceiro: a integração nos sistemas de gestão. É o elo que o estudo chama de mais frágil e o que a encomenda define como decisivo. Para o founder, a oportunidade não é refazer ERP: é a camada que faz a IA do cliente conversar com o ERP do cliente, com o log de auditoria e o controle de acesso que a execução exige.
E há um quarto vetor, mais discreto: a governança formal, que só 14% têm. A decisão sobre IA chega à diretoria em 43% dos casos, mas política escrita e valendo para a organização inteira são raríssimas — enquanto 46% já apontam vazamento ou uso indevido de dados como o principal risco ligado à IA. Construir o instrumento que transforma a política em prática é serviço, e serviço que se renova.
Conclusão
O estudo da MIT SMR Brasil dá um retrato incomodo e útil: 80% das empresas brasileiras já estão usando IA e 93% não a incorporaram à estratégia. A distância não se fecha com modelo melhor, porque o modelo já existe e está rodando em quase todo lugar.
Fecha com quatro coisas: medir custo, medir retorno, coordinar os departamentos e integrar ao sistema de gestão. As quatro estão no contrato implícito de qualquer empresa que leva IA a sério — e nenhuma delas tem dono na maioria dasorganizations.
Para o founder, a tese é direta: não venda o agente. Venda a passagem do agente para o centro do negócio. A camada de medição, coordenação e integração é o que falta entre os 80% e os 7% — e ela está sendo derivada todos os dias, com custo, por empresas que ainda não descobriram que podem comprar.
Fontes
- IA Chega a 80% das Empresas Brasileiras, mas Só 7% Usa no Centro do Negócio — Forbes Brasil, outubro de 2026: cobertura do estudo Da adoção à escala (MIT SMR Brasil com a CNEX, encomendado pela TOTVS), com os percentuais de maturidade, medição, coordenação, integração e parceria.
- MIT Sloan Management Review —وعamide institucional do estudo global em que a pesquisa brasileira se baseia.

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